sábado, 4 de julho de 2009

Miguel Falabella ♥

Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, doem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é saudade. Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que morreu, do amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade.
Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa. Doem essas saudades todas. Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama; Saudade da pele, do cheiro, dos beijos.
Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ela no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o dentista e ela para a faculdade, mas sabiam-se lá onde. Você podia ficar o dia sem vê-la, ela o dia sem vê-lo, mas sabiam-se amanhã. Contudo, quando o amor de um acaba, ou torna-se menor, ou outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter. Saudade é basicamente não saber. Não saber mais se ela continua fungando num ambiente mais frio. Não saber se ele continua sem fazer a barba por causa daquela alergia. Não saber se ela ainda usa aquela saia. Não saber se ele foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ela tem comido bem por causa daquela mania de estar sempre ocupada, Se ele tem assistido as aulas de inglês, se aprendeu entrar na internet, Se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, Se ele continua preferindo Malzebier, Se ela continua preferindo suco, Se ele continua sorrindo com aqueles olhinhos apertados, Se ela continua dançando daquele jeitinho enlouquecedor, Se ele continua cantando tão bem, Se ela continua detestando o MC Donald’s, Se ele continua amando, Se ela continua a chorar até nas comédias. Saudade é não saber mesmo! Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, Não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, Não saber como frear as lagrimas diante de uma musica, Não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche. Saudade é não querer saber se ela está com outro, e ao mesmo tempo querer. É não querer saber se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais saber de quem se ama, e ainda assim doer.
Saudade é isso que senti enquanto estive escrevendo e o que você provavelmente, esta sentido agora depois que acabou de ler....

._.

Miguel Falabella , esse mesmo, o Mário Jorge do Toma Lá, Dá Cá, escreveu isso ..
Me deu até.. saudade da Bahia ! xD

Foto by Google
;*

3 comentários:

Bianca Guimarães disse...

Pois é , ja me acostumei com a ideia de nao poder apagar o que aconteceu da minha vida...

Eu ja conheço esse texto. é muito show mesmo! rsrs.
beijos fofa

Isáah disse...

É a saudade doi... e doi demais... e o pior é que ela não sara com um simples xarope ou um remedio... só sara com o tempo...

Bjiiiins!!

Becka disse...

Lorenna ! quer me matar ? :~
tô no trabalho, os olhos cheios d'agua e o coração cheio de saudade.

é bom passear por blogs e não só ler textos dos donos, mas de outras pessoas que conseguiram colocar no papel aquilo que gostaríamos de dizer.

;*